Betth Ripoli traz no Sintonia, Cristina Guimarães, com o tema: O DESPERTAR DA ESSÊNCIA FEMININA

Maria Cristina Guimarães: Psicóloga Coordenadora da Oficina do Ser / Fundadora Escola da Mulher. Pós-graduada em diversas áreas da Psicologia, formação internacional na Arte do Desenvolvimento do Feminino e Masculino (Rússia).

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Confira nesta quinta-feira (26/02) das 17h as 18h pela http://www.alltv.com.br

 

Clique aqui e assista Cristina Guimarães dia 26/02/2015 das 17:00 as 18:00 h AO VIVO

 

 

 

 

 

Aura de Energia Feminina

E que encanto tão especial se encontra na energia feminina? O que é a verdadeira energia feminina?

A Mulher é a geradora da Vida, é a expressão do Sagrado Feminino, materializando através da sua criatividade a essência divina. Sem ela nada poderia ser gerado, através dela tudo flui.

 

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A grandeza do poder criador da Mulher é apenas igualado à sua enorme capacidade de resistência, de transmutar o sofrimento, de dar amor, de nutrir e de cuidar. O feminino é por excelência o grande receptor da energia, o que por vezes pode funcionar contra si, se a energia não for bem cuidada e orientada. A mulher armazena a maior parte da sua energia vital na zona do aparelho reprodutor. Nessa zona está registada toda a informação que o nosso espírito contém sobre a parte da nossa energia que é feminina, heranças familiares no âmbito da linhagem feminina referente a esta vida e vidas passadas. O útero absorve e armazena energias exteriores, sobretudo de fontes masculinas. É frequente este centro energético estar estagnado e tornar-se foco de bloqueios, dos quais a mulher não se consegue libertar por não ter essa energia limpa e protegida. Deste modo, estes bloqueios podem manifestar-se em doenças e desequilíbrios de foro feminino, entre as quais problemas no ciclo menstrual, doenças relacionadas com o sistema reprodutor feminino, desequilíbrios hormonais, dificuldades em engravidar, problemas de relacionamentos, auto-estima, ou dificuldades a nível da sexualidade. Pelo que, sendo limpa, activada e protegida, esta fonte de energia é uma ferramenta poderosa.

A leitura de energia feminina proporciona à Mulher o resgate a sua verdadeira essência feminina, a cura dos padrões kármicos adquiridos e herdados, ligados à sua essência, o desbloqueio e limpeza energética do canal de energia feminina, bem como a activação desta energia e o equilíbrio das polaridades feminina e masculina.

Recomenda-se que a leitura de Energia Feminina seja feita apenas por quem já tenha feito uma Leitura de Aura de Tema Geral.

E ser mulher é tudo isto. Somos a essência do amor, da Deusa, da Mãe, da Avó, a energia que ensina a amar incondicionalmente, vivendo como a lua nas suas fases de transmutação e alimentando a essência com os elementos terra, agua, fogo e ar. O Amor materializado do olhar ao coração, da voz ao silêncio, do abraço ao toque. A Alquimia da semente do Amor.

 

Fonte: Heranças de Amor

Desvendando o 50 Tons de Cinza

O que há por trás da trilogia 50 Tons de Cinza que encanta, hipnotiza e sensibiliza tantas Mulheres?

DESVENDANDO O 50 TONS DE CINZA
Com a Psicóloga Cristina Guimarães
Idealizadora da Escola da Mulher
26/02/2015 – 19:30h às 22:30 h

Rua Texas, 610 – Brooklin
Inscrições : 11-5533-4848
R$150,00

 

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O PODER DO FEMININO

No processo de afirmação da mulher nesses anos, ela teve que utilizar muito a força masculina para posicionar-se melhor no mercado de trabalho, para conseguir seus direitos políticos e etc. frminiono conquistou espaços, mas também foi perdendo um pouco o encanto.

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A mulher deve saber relacionar-se com o mundo com sua energia feminina, estudando os arquétipos femininos, resgatando o poder sutíl, penetrante, encantador.

A cumplicidade feminina com as fontes de vida voltam a confirmar-se quando a mulher empreende uma nova tarefa. As mulheres foram, no princípio, coletoras de plantas, e mais tarde, quando se descobriu que uma semente introduzida na terra se reproduzia, transformaram-se em cultivadoras. Os derivados dos vegetais, especialmente os cereais, chegaram para constituir-se uma parte fundamental da alimentação humana. O papel das cultivadoras se transformou num verdadeiro suporte para a vida. O sustento que provinha das mulheres não terminava com sua maternidade.

Há muito tempo atrás, a imagem da Grande Mãe começou a experimentar certas modificações, já não era vista apenas como a extensão da terra. Na época de Ishtar, Isis e uma imensa lista, foram reverenciadas como Mães da Terra e no verdadeiro sentido de Deusas da Fertilidade.

Com frequência as Deusas eram comparadas com a mãe, esposa e amante, algumas vezes nas três simultaneamente.

Em relação às mulheres terrenas, devido a descoberta tardia de sua importância como cultivadoras, na terra invocava-se a Mãe-Terra para poder ter uma boa colheita.

Como a mulher, a Terra nos nutre e nos sustenta, por isso é uma Grande Mãe. Alguns pesquisadores acrecitam que os primeiros xamãs foram mulheres.

Em respeito a Mãe Terra, as mulheres mortais são tanto microcosmos como coadjuvantes. Daí deriva-se o sentimento místico que inspira o ciclo menstrual, e a ansiedade que o homem observa em qualquer alteração de fluxo.

poder feminino

Rupert Sheldrake, em “Renascimento da Natureza, faz alguns relatos sobre “A Mãe de Deus ” :

A Virgem Maria é a forma predominante sob a qual a Mãe tem sido honrada e venerada pelos cristãos. Ela foi proclamada a Mãe de Deus no Concílio de Éfeso, no ano 431, e seu culto difundiu-se rapidamente por toda a cristandade.

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Progressivamente, ela foi incorporando os títulos e os atributos de várias deusas pré-cristãs. Muitos de seus santuários foram erguidos em lugares antes consagrados a deusas, como em Éfeso, lugar onde ficava o templo de Ártemis. Esse processo teve lugar em toda a Europa, e continuou na América Latina e em outras areas evangelizadas pelos católicos romanos.

Nossa Senhora de Guadalupe é uma Viirgem Negra, tanto na forma mexicana como espanhola. Temos aqui no Brasil, a Nossa Senhora da Aparecida, ou sejam “Madonas Negras”. Ninguém sabe como surgiu a tradfição da Virgens Negras, mas sua importância simbólica deve depender, em parte, de sua associação com a Terra e com a morte. A Grande Mãe das religiões arcaicas era a fonte de vida e fertilidade, e o ventre para qual toda a vida retornava. A deusa negra Kali, é a Grande Mãe em seu aspecto de destruidora, mas é também a fonte de nova vida. E a Virgem Maria está associada com a morte, bem como a fertilidade e com a nutrição : ” Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte”

No decorrer de toda a década de 80, visões da Virgem Maria foram relatadas pesistentemente em várias partes do mundo, e foi anunciada como a “Rainha da Paz “Em 1988, o papa proclamou um ano mariano.A atitude do papa de honrar a Terra como Mãe é expressa pelo seu costume de beijar o solo quando descia do avião.

O texto abaixo é de Rosane Volpatto:

A negligência do aspecto interior tem levado, particularmente as mulheres, a certa falsificação de seus valores existenciais. Hoje em dia, o sucesso ou o fracasso da vida de uma mulher não é mais julgado como antigamente pelo critério exclusivo do casamento. À sua adaptação à vida agora, pode ser feita de diversas maneiras, cada uma das quais, oferecendo alguma oportunidade para resolver problemas, sejam de trabalho, de relações sociais ou necessidades emocionais.

O maior problema, observado em nossos dias é que no mundo ocidental se dá ênfase especial à valores externos e isso tem a justa medida à natureza do homem e não da mulher. O espírito feminino é mais subjetivo, mais relacionado com sentimentos do que com leis ou princípios externos, o que acaba regando conflitos. E a resultante destes conflitos é usualmente mais devastadora para as mulheres do que para os homens.

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O despertar das deusas interiores, se faz importante, particularmente para as mulheres, mas não esqueçam os homens que este caráter feminino também lhes é peculiar(anima). A maior razão da seriedade deste tema, refere-se ao recente desenvolvimento do lado masculino da mulher (animus), que tem sido uma característica marcante nestes últimos anos. Este desenvolvimento masculino, está associado às exigências do mundo dos negócios e é até considerado pré-requisito para se ganhar a vida neste mercado tão competitivo. Mas esta mudança, de caráter benéfico na vida profissional das mulheres têm causado alterações profundas na sua relação consigo mesma e com os outros. Este conflito interno estabelecido entre a necessidade de expressa-se através do trabalho como o homem faz e a necessidade interior de viver de acordo com a sua natureza feminina, entraram em “xeque-mate”.

Se as mulheres (homens também) pretendem ter contato com seu lado feminino perdido, precisa escolher um caminho que as fará despertar estas deusas adormecidas. Estes mitos e rituais de religiões antigas representam a projeção ingênua de realidades psicológicas. Não são deturpadas pela racionalização, porque em assuntos ligados ao reino do espírito, os povos primitivos e da antiguidade não pensavam, eles somente percebiam, sentiam e intuíam, como de fato ainda fazemos hoje. Conseqüentemente, estes produtos do inconsciente contêm um material psicológico dos mais puros e que pode ser reunido como formas de conhecimento acerca da realidade subjacente à vida do grupo, tornando-se assim, acessíveis a nós. Pois saibam todos, que quer queiram o não, nós somos geneticamente iguaiszinhos aos nossos antepassados.

Jung já no demonstrou que deuses e rituais representavam a fantasia do grupo e que esse material é interpretado psicologicamente por um método similar ao empregado no estudo dos produtos inconscientes de homens e mulheres a nível individual. E o que se constata, através da história é que mitos e rituais é que mitos e rituais se equivalem até em detalhes em culturas de povos bastante separados, nos levando a concluir, que temas psicológicos gerais são verdadeiros para humanidade como um todo. E, de fato, hoje em dia os sonhos e fantasias das pessoas mostram um caráter generalizado similar, lembrando mitos antigos e primitivos Essa semelhança entre o sonho e algum mito antigo pode ocorrer em casos onde não há nenhum conhecimento da existência de tal mito, de maneira que o sonho não pode ser explicado como “empréstimo”. É, com certeza, uma criação espontânea do inconsciente, proveniente da carga hereditária contida naquela célula que é geneticamente igual à daquele nosso antigo ancestral, que nem sequer temos conhecimento de sua existência. Deu para entender? Pois é, mais uma vez, a pedra que os construtores humanos tentam continuamente rejeitar, está se tornando a pedra angular. Tirem suas próprias conclusões, pois eu já tenho a minha opinião formada, graças as minhas DEUSAS!

Abaixo, palavras de um Grande Xamã Brasileiro Sebastião Mota, o Padrinho Sebastião, o patriarca de uma comunidade daimista, o Céu do Mapiá, por ele fundado, no coração da Selva Amazônica. (Material extraído do Evangelho Segundo Sebastião Mota – Alex Polari) :

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” As mulheres, se quiserem avistar sua própria Mãe Espiritual, devem se considerar iguais a ela. Porque não é com chafurdo (sujeira), não é com aquilo e aquilo outro, que o sujeiro pode chegar a ver uma Virgem Soberana ! Com rancor, com inveja, com ciúme, conquistando, fazendo tudo isto não se chega a Ela ! ”

” Todas as coisas vem da flor. A abelha, faz o mel da flor. Toda flor tem que dar uma semente qualquer. Não é ? Só a mulher é que não pode ser uma flor ? Vem o fruto, não é da flor ? Então eu considero. Eu examino tudo, pra depois, quando for conversar, ter realidade. Porque a voz do deserto quando falou para mim que toda mulher ia ser libertada, porque nunca tiveram liberdade e toda a vida foram sujeitas ao homem, mas que de agora pra frente elas iam ser libertas. E dai, rapaz, foi se vendo diretamente as coisas como estão ! A posição das mulheres era muito baixa ! Muito embaixo da ordem, desde a casa dos pais. Casada tava pior. Muito mais ! E além de tudo, presa aos filhos !

Não é a história que eu tô contando que tudo no mundo é flor ? Dá o fruto ? Então a mulher não pode ser uma flor ? O fruto também não vem dela ? Da mesma flor ? Agora, quem não conhece….vai conhecer ! ”

” Meus irmãos, outra coisa, que eu tenho para avisar a todos. Todo irmão, seja casado, seja solteiro, se volte às suas mamãezinhas. Todo aquele que não voltar à sua mamãezinha e pedir o seu perdão, não vai ter vida eterna. Porque o homem cresceu tanto, chegou a um ponto de conhecimento que abafou a pobre da mulher, deixou ela como uma escrava, como uma escrava daquelas. E coitada, o seu valor foi tirado totalmente.

Mas agora quem tá dando valor delas é Deus. Deus dá o valor de todas as senhoras, para que o homem volte a reconhecer o que o seu próprio Filho conheceu, na minha Virgem Soberana Mãe, minha e todos nós.

Voltem ! Podem voltar às mamãezinhas. Quem tiver a sua mulher, tenha consciência. Porque a tua mulher também pode ter a consciência de que você é um Deus. Se ela é uma Virgem Soberana Mãe, é apenas uma semelhança. Está aí. Não é uma estátua não. É uma semelhança, para provar. Aquela que quer viver do mundo, torna-se do mundo.”

A Energia do Feminino e do Masculino

É estranho, mas é bem isso que está acontecendo! Na medida em que as mulheres conquistaram seu espaço na sociedade e incorporaram em suas vidas cada vez mais e mais atribuições, foram pegando para si o papel do masculino e estão se tornando O GUERREIRO na relação com a vida. Vão à luta, conquistam o mundo e sobrevivem a tudo. Parece até que estão numa guerra. E, de fato estão. Sobrevivem às emoções, aos fracassos, às crises, à depressão, ao vazio, à falta de apoio e sentido na vida, à solidão. O preço é bem alto: a conta dos remédios cresce, as visitas aos consultórios terapêuticos e psiquiátricos, as doenças, as dores do corpo que não tinham antes…
Por outro lado, os homens perderam seu espaço na relação com o mundo e estão igualmente perdidos e sem poder. O poder real, yang, forte, equilibrado, vibrante. Não essa coisa banal e desequilibrada de conquistar muitas mulheres a cada dia, de lutas e competições vazias e fazendo parte de um jogo sem sentido, de disputas tolas que não levam a nada. Perdeu-se a capacidade da conquista real, de um relacionamento intenso, de ser vitorioso de verdade por conquistar a mesma mulher a cada dia, mesmo diante dos altos e baixos e percalços da vida a dois. De conquistar seu lugar no mundo profissional por seus atributos, de ter contato com a linhagem ancestral e a se colocar nessa hierarquia de tal forma que consiga passar para os filhos os valores e a herança de valores humanos há muito perdidos ao longo das guerras e domínios históricos.
E quando um toma o papel do outro o que acontece na relação? Cada um se acomoda naquilo que é mais fácil, naquilo que o outro permite e impõe. Os homens se acomodam, as mulheres assumem mais e mais tarefas, se sobrecarregam e depois reclamam da omissão e falta de apoio.

 

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Como é difícil para algumas descansarem no seu feminino, pedirem ajuda, entrarem em contato com a fragilidade e delicadeza. Parece até que tudo isso é sinônimo de fraqueza e submissão. Mas está distorcido, pois o feminino suave e doce tem uma beleza e poder sem igual. É muito poderoso quando uma mulher se apropria disso, de conquistar as coisas na vida a partir dessa energia feminina equilibrada, que a coloca em contato com a força intuitiva, da criatividade, abundância, fluidez e magia.

Mas muitas mulheres endureceram e perderam essa capacidade. Secaram o útero, mas antes, tiveram que secar as lágrimas. Muitas até nem choram mais. Triste, pois lágrima que corre tem um significado profundo de liberação e de deixar ir aquilo que não se quer mais.

Houve mudança também no corpo. Perderam as formas e, encouraçadas, colocaram na cintura e barriga uma super camada de proteção de gordura. Outras estão no outro extremo e modelaram corpos masculinos para si, de tão identificadas que estão com a energia masculina. É luta mesmo e puxam ferro pra valer!
No passado, os homens forjavam as espadas malhando o ferro; hoje muitas mulheres malham o ferro e se tornam verdadeiras armas de combate com os homens para ver quem pode mais.

Por outro lado, os homens também fazem isso, buscam um corpo forte, que mais parece uma armadura, mas que esconde uma fragilidade que não tem tamanho. Outros estão de fato, bem identificados com o feminino e estão encerrados em corpos franzinos, muito delicados, buscando outros homens para se relacionar. Buscam na verdade o seu masculino perdido.

É meio louco tudo isso, bem neurótico. As pessoas dizem que querem uma coisa, um relacionamento vivo, real, intenso, mas estão criando exatamente o contrário disso. Desencontros e mais desencontros, sob o pretexto de ter perdido o “time”. E perderam mesmo, e perderão outros e outros tempos se não despertarem para o AGORA, para a necessidade de mudar o padrão, de fazerem escolhas mais conscientes e começarem a pensar, falar e agir diferente.

UM CONVITE ÀS MULHERES: descansem no seu feminino, usem a magia da sedução para outro nível de conquista, coloquem seu poder pessoal à disposição de algo maior na sua vida, pois estão aqui para isso, para ajudar a recriar esse belo planeta e nos colocar em contato com outras vibrações mais elevadas.

UM CONVITE AOS HOMENS: peguem seu bastão de poder de volta, reassumam seu espaço na vida e se abram para novas possibilidades de manifestação desse poder. Sua força está aí, naquilo que tem a ver com a energia masculina equilibrada de servir, de prover, de agir. Como é belo ver um homem agindo com segurança e força – o verdadeiro Guerreiro!

UM CONVITE AOS DOIS: se abram para o amor, para o convívio, para a intimidade, para a partilha. Conseguirão isso retirando as máscaras da auto-suficiência, se permitindo sentir, falar, dialogar, contar um ao outro seu ponto fraco, aquilo que dói, onde está sua ferida. O cuidado vem depois disso, de um saber e querer cuidar de si e do outro. Ser verdadeiro consigo é porta para ser verdadeiro com o outro. Amar-se e respeitar-se profundamente são condições para amar e respeitar o outro.

 

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A INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES QUE FOI CRIADA PARA SER TUDO O QUE UM HOMEM NÃO QUER

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Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e velhos homens.

O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?

Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos.

Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração.

Mas, escuta, alguém lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?

Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”.

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…”

Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina.

O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência?

E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família.

No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta.

RUTH MANUS, PUBLICADO EM: http://blogs.estadao.com.br/ruth-manus